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A Cure For My Life

“Find a cure for my life/ Oh my god/ Oh you think I’m in control/ Oh you think it’s all for fun/ put a smile on my face/ Put a price on my soul/ Build a wall/ Build a fortress around my heart.” Em bom português poderíamos traduzir como: “Encontre uma cura para minha vida/ Oh meu deus/ Oh você acha que estou no controle/ Oh você acha que tudo isso é por diversão/ coloque um sorriso na minha cara/ Coloque preço na minha alma/ Construa um muro/ construa uma fortaleza em volta do meu coração.” Esses são os versos carregados e cheios de revolta que tornaram Ida Maria conhecida (pelo menos um pouco) em todo mundo.

Quem vê a imagem fixa do link desta música no youtube, e lê seu nome em cima, pode imaginar que se trata de uma bela ‘rapariga portuguesa’, prestes a entoar o mais fino fado. Mas os riffs iniciais de “Oh My God”,  demonstram o puro Punk Rock presente em boa parte das faixas de “Fortress Round My Heart”(2008), o primeiro e ainda único desta cantora nórdica.

Podemos ir mais longe e relembrar que tudo isso começou no inicio da década de 1970 com Iggy Pop e sua banda, The Stooges, e depois deles, Ramones, Sex Pistols, The Clash e se vão mais de trinta anos de três acordes e muita energia. Apesar de nascida em 1984, anos após o ápice do Punk, quando a New Wave ditava o cenário Pop/Rock, Ida Maria demonstra que bebeu em fontes preciosas para desenvolver suas melodias. Talvez os anos que separam Ida do Punk ‘setentista’ apenas retiraram o lado muitas vezes político da época e deixaram apenas o bom humor e a ‘dor-de-cotovelo’.

Nasceu em Nesna, cidade de dois mil habitantes no norte da Noruega, cercada de muita natureza, montanhas, o mar e provavelmente muito frio. Apesar de ser filha de músicos, a influência Rock’n’Roll veio da coleção de discos da casa de um médico onde trabalhou como babá, lá conheceu Jimmy Hendrix, Janis Joplin (quem ela é fã e considera como uma cantora incomparável) entre muitos outros. Aos dezesseis foi morar na segunda maior cidade da Noruega, onde chovia muito, ‘e o que fazer?’ Se trancar no quarto, ouvir e fazer muita música. Algo muito curioso sobre Ida Maria, ela sofre de Sinestesia, uma patologia neurologica, que proporciona a quem sofre dela ter sensações juntas, o que no caso de um pessoa normal teria em separado. No caso de Maria, quando criança, diagnosticaram que ela vê cores quando ouve música: “É maravilhoso” declarou a cantora em entrevista.

O que mais chama atenção em Maria, além dos seus belos olhos azuis, sua estilizada cartola e suas formas ‘rechonchudas’, é o fato de seus acordes possuirem uma explicita emoção que ela coloca em todas as músicas, mesmo em estúdio. Aliás, ela fez questão de regravar e reordenar as faixas do primeiro CD, em entrevista afirmou que a primeira versão estava com muita “maquiagem”, e queria que o disco tivesse “a cara dela quando acorda”, o mais cru possível. Nada mais puro, nada mais Punk. Um bom disco precisa de mais que duas músicas boas, em “Fortress” vale conferir todas, entre elas: “I Like You So Much Better When You’re Naked“, “For Give Me“, “Queen of the World“, “Stella“, “Drive Away My Heart“, “Morning Light” , “Louie” além de “Oh My God“.

Ida Maria demonstra emoção, espontaneidade e muita sinceridade, tanto em suas letras como quando sobe ao palco onde literalmente se ‘descabela’, sempre passando muita paixão pelo rock que parece vir de seu útero.  Carisma e bom humor, também presentes em algumas músicas, demonstram que seu potencial pode leva-la ao topo, caso ela mantenha a qualidade em seu próximo disco, no qual atualmente trabalha.

Site Oficial

Pra não dizer que não falei das flores, citei Iggy Pop por que ele divide os vocais com Maria em uma versão para música “Oh My God”, confesso que gosto mais da versão original. Apesar do peso de suas guitarras (que ela toca também) com levada punk, Ida Maria diz que faz música pop. Vale conferir o vídeo acima de “I Like You So Much Better When You’re Naked”, pela letra ‘sugestivamente’ engraçada, e pelo visual inspirado nas colagens de jornais e revistas, marca registrada do movimento Punk, tão ‘revisitado’ na moda e no design desde então.

Pra não dizer que não falei das flores também, ela ficou mais conhecida na mídia, quando “Oh My God” apareceu no seriado americano “Gossip Girls”. Seu disco foi eleito um dos dez melhores pela revista People em 2009, que chamou sua música de “punk-pop”. Maria declara que esta faixa não é uma blasfêmia, como alguns críticos religiosos chegaram a ‘reclamar’, tanto esta como em ‘Stella’, existe sim uma critica bem-humorada, onde deus é um velho que se apaixona por uma prostituta de quarenta e três anos, ela diz que não é religiosa e acha ‘engraçado’ o fato de algumas pessoas levarem ‘tão a sério’ a religião e suas doutrinas.

Obs.: Agradeço a Stephanie, minha amiga jornalista, que me passou o link dessa cantora quando ainda trabalhávamos juntos: “Você já ouviu Ida Maria?”.

Obs2: Abaixo um ‘rápido e rasgado’ blues acústico que ela canta sobre seus próprios ‘seios’.

#por Jonas Ribeiro#

 
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Publicado por em março 6, 2010 em All Posts, Notas Musicais

 

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Elementar e Além

Seria fácil criar um filme sobre o detetive mais famoso da história, o símbolo maior de toda uma classe investigativa, aquela figura que, imageticamente falando, tem uma relevância maior que o seu compatriota 007. Em tempos de inúmeras séries televisivas com detetives modernos, que usam a ciência, a tecnologia e a inteligência (Holmes?) para desvendar os mistérios quase insolúveis, se alimentar de toda esta mídia, e para não dizer ‘mini cultura investigativa’ criada nos tempos atuais, nada melhor do que o maior de todos para fazer sucesso no cinema. Mas chamaram um tal de Guy Ricthie para executar a tarefa, então o ‘elementar’ foi um pouco além.

Sherlock Holmes foi criado no final do século XIX pelo médico oftalmologista e escritor Arthur Conan Doyle. Ele utiliza o conhecimento para decifrar todo tipo de mistério, crime, ‘sapo morto’ ou pessoas que estejam passando na rua. Esta é a principal característica de todos os Sherlocks já criados, desde o original literário até as suas adaptações cinematográficas. Justamente aí esta o fascínio que este personagem exerce em todos, a ‘inteligência aplicada’ inspira e prova como o conhecimento é necessário e encanta.

Quem já assistiu aos excelentes “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes” (Lock, Stock and Two Smoking Barrels, 1998) ou a “Snatch – Porcos e Diamantes” (Snatch, 2000) tem idéia do estilo marcante de Ricthie. O slow motion, os pensamentos dos personagens, os closes, a fotografia, o sotaque inglês carregado, os capangas, está tudo em Sherlock, mas não de forma gratuita. Ritchie ‘assina’ o longa sem ser cansativo nem repetitivo, e o ‘respeito’ pela personagem histórica esteve presente em pequenos elementos que, confesso, desconhecia pertencer as histórias do detetive inglês.

Por nunca ter lido nenhum dos seus romances, busquei informações sobre o mesmo, pois a figura é tão marcante, excessivamente repetida e parodiada na história do cinema e TV, que até acreditava já ter assistido a muitas de suas tramas. Na verdade, “O Enigma da Pirâmide” (Young  Sherlock Holmes, 1985), reina quase que absoluto em minha memória, onde o diretor Barry Levinson também fugiu do óbvio e magistralmente colocou as figuras de Sherlock e o Dr. John Watson na adolescência.

Fui novamente surpreendido, ao descobrir que seu ‘ar arrogante’ não é somente fruto da boa interpretação do Robert Downey Jr., muito menos seu violino presente em muitas cenas, ou até mesmo a luta por uns trocados (o Holmes original lutava box). Tudo faz parte da personalidade criada na palavras de Doyle no final do século XIX e sempre narradas pelo Dr. Watson, amigo inseparável de Holmes (mesmo quando não deseja), facilmente incorporado por Jude Law. Não sei se faz parte dos livros, mas a bela Rachel McAdams está perfeita na papel de Mary Morstan, assim como todo o elenco, muito bem escolhido.

Juntando todos os pedaços deste intrigante texto, “Sherlock Holmes” (2009), não abusa de suspense, aliás, poucos mistérios estão suspensos no ar, os elementos são apresentados sem muitas ligações aparente, em meio a muita ação e humor inteligente/sarcástico, Holmes decifra os enigmas ao decorrer da trama. Diversão garantida por Guy Ritchie, que conseguiu respeitar, não só a personagem central e toda sua história literária como principalmente o seu próprio estilo de fazer cinema.

Para não dizer que não falei das flores, preciso salientar a belíssima fotografia assinada por Philippe Rousselot, é um espetáculo a parte, desde os créditos iniciais, até os marcantes e estilizados créditos finais (que valeram o ingresso para mim). Os tons cinzas de uma Londres em construção, os elementos sombrios e as ruas úmidas são alguns dos detalhes que impressionam e servem de excelente pano de fundo para toda a trama de “Sherlock Holmes”.

Para não dizer que não falei das flores também, “O Enigma da Pirâmide” marcou muito minha infância/adolescência. Talvez pela proximidade da idade dos personagens com meus poucos anos de vida, ou mesmo pela trama inteligente e misteriosa. Só para enumerar alguns filmes do diretor estão: “Bom Dia, Vietnã” (Good Morning, Vietnam, 1987), “Rain Main” (1988), o fantástico “Mera Coincidência” (Wag the Dog, 1997).

Em tempos que as ‘sociedade secretas’ estão na moda, um trecho de “Enigma”.

#por Jonas Ribeiro#

 
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Publicado por em fevereiro 20, 2010 em All Posts

 

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80 Anos Inesquecíveis

Existem trabalhos que pelo próprio termo “trabalho” associamos justamente com algo que exige muito esforço, de muitas dificuldades e cheio de problemas que devemos resolver. Mas que graça teria a vida se não fosse essa “ação dramática” que enfrentamos todos os dias?

O filme de animação “80 Anos Inesquecíveis” foi realizado num período ‘quase insano’ de um pouco mais de dez dias, sendo que a narração foi passada para mim, menos de uma semana antes do final do prazo de entrega. Afinal era aniversário da Vovó Bibi, personagem central da história, e não poderia ser postergado.

Devido ao prazo muito apertado, não foi possível realizar algumas adequações, como a locução que estava em um volume baixo e um pouco lenta, inserção de uma trilha sonora, além de alguns elementos que seria interessante acrescentar em algumas cenas.

Segui o roteiro defino (um texto muito bem escrito e narrado pelo neto Vitor e pela Carol, a cliente). Não tivemos como fazer alterações, mas o resultado me surpreendeu positivamente. Foi muito legal desenhar tudo na tablet, e depois passá-lo para o Flash, inicialmente achei que faria tudo a lápis e scanear, mas logo esse processo se mostrou demorado e improdutivo. A idéia dos desenhos era o estilo ‘tosco’ mesmo, para manter o tom de humor do filme. Infelizmente o Vovô Celso partiu um ano atrás, e um dos pedidos da cliente é que o vídeo tivesse uma cara leve e descontraída.

Aumente o volume  e curta este humilde ‘curta’ com a bela trajetória de Vovó Bibi e sua família:

Pra não dizer que não falei das flores, não conheço pessoalmente nenhum dos personagens, mas é muito interessante descobrir a história de uma pessoa que aparentemente teve uma vida muito intensa e criou uma família, no mínimo, muito bem humorada. Não posso deixar de dizer que foi um prazer realizar este ‘trabalho’, que a satisfação de desenhar e animar para mim não tem comparativos.

#por Jonas Ribeiro#

 
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Publicado por em fevereiro 6, 2010 em All Posts

 

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Esta é a Minha Ilha, é o Reino que Governo e Onde ‘Eles’ Vivem

Fora de controle, as peças não se encaixam, nada combina e todas as emoções transbordam para o caos, a fatalidade e a incompreensão. Então a única saída é fugir de tudo isso, e navegar a deriva num mar desconhecido, em busca de um porto qualquer. Em meio a tempestade de águas revoltas encontra-se uma ilha.

Neste pedaço de terra ‘eles’ vivem, em eterno conflito, com todas as suas peculiaridades, que num primeiro momento assustam, mas apesar de suas formas horripilantes, percebe-se algo familiar em todos eles. Uns aparentemente estão por perto o tempo inteiro, outros mal nota-se a presença, mesmo assim estão lá, marcando de alguma forma a existência. Esta ilha agora tem um rei.

Constrói-se uma fortaleza, para que só o desejável entre, mas isso é impossível. Ter o controle de quem entra ou quem sai é apenas um desejo utópico, distante da realidade. Logos ‘eles’, que aparentemente estavam calmos e em harmonia com a chegada do rei, expõem suas faces, o falso controle cai facilmente, neste reino ‘eles’ estão fora de controle, é difícil governar a própria ilha.

“Onde Vivem os Monstros” (Where the Wild Things Are, 2009), dirigido por Spike Jonze, é adaptação do livro com mesmo nome de Maurice Sendak. Quando vamos ao cinema para assistir um filme de Jonze, esperamos no mínimo algo inusitado, um olhar diferente, fotografia, montagem, tudo tem um trabalho personalizado e distante do comum.

Não é fácil gostar deste filme, porque as metáforas escondidas na história do garoto Max e os Monstros que dividem a tela com ele são sutis e dificilmente percebidas por mentes um pouco distraídas. A trilha sonora é delicadamente deliciosa, e dá suporte as viagens de Sendak e Jonze. Não sei quanto o filme é fiel ao livro, mas sem dúvida esta película não é nada infantil.

Peço ‘licença poética’ para definir e resumir este filme pelo meu ponto de vista: Todo homem é uma ilha, onde reina um menino cheio de histórias fantásticas, ele é a essência pura que reside dentro de cada indivíduo. Mas nesta ilha também habitam os monstros, oriundos de nossas fraquezas, são as faces tristes do lado obscuro também presente dentro de todos nós.

Pra não dizer que não falei das flores, Spike Jonze é da ‘turma’ de Michel Gondry e Charlie Kaufman, passou a década de 1990 dirigindo videoclipes para R.E.M, Björk, Sonic Youth, Daft Punk, The Breeders, Weezer entre outros. Estes vídeos marcaram época, ganharam prêmios e abriram o mercado do cinema para este diretor. Antes de “Onde Vivem os Monstros”, dois filmes que dirigiu, que chamam atenção pelos excelentes roteiros de Kaufman são “Quero ser John Malkovich” (Being John Malkovich, 1999) e “Adaptação” (Adaptation, 2002).

Seguem três momentos de pura genialidade de Jonze, “It’s so Quiet” com a sincronia em slow motion de Björk, o bem-humorado e já clássico “Sabotage” dos Beastie Boys e por último, mas não menos importante, “CannonBall” música de maior sucesso do The Breeders, onde é importante reparar as diferentes tomadas e ângulos inusitados como o rosto debaixo d’água e a câmera que corre com a bola.

#por Jonas Ribeiro#

 
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Publicado por em janeiro 30, 2010 em All Posts

 

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Time’s A Wasting

“I wear the black for the poor and the beaten down, / Livin’ in the hopeless, hungry side of town, / I wear it for the prisoner who has long paid for his crime, / But is there because he’s a victim of the times” (“Eu me visto de preto pelos pobres e oprimidos/ Que vivem no lado faminto e sem esperanças da cidade / Eu me visto assim pelo prisioneiro que há muito pagou por seu crime / Mas está ali pois é uma vítima dos tempos”). Trecho de “Man In Black” escrita em 1971.

Um homem trilha sua história cheia de problemas, desde a infância as coisas são difíceis para ele. Com o passar do tempo sente que dentro de si existe algo extraordinário, um dom que o difere dos comuns, ele parte em busca de seu destino, mesmo com muitos sendo contrários a sua luta. Logo, esse seu dom lhe dá notoriedade e ele passa a ser conhecido e amado por (quase) todos. Mas o que poderia ser um final feliz é justamente o ponto de partida da sua trajetória de muitos altos e baixos, perseguições e equívocos que o levam até o fundo do poço e para os braços da morte eminente. Até que um amor incondicional o traz de volta a vida, lhe dá a redenção, encontrando as forças em uma fé, o predestinado ressuscita e recebe sua absolvição.

Jesus, Homem-Aranha, Ray Charles, Karate Kid, etc. A trilha do herói, já academicamente analisada por diversos estudiosos de roteiros, é a receita para incontáveis histórias descritas pela humanidade. A vida de Johnny Cash se encaixa perfeitamente nela. Mesmo cometendo todos os abusos comuns para um ‘rock star’, envolvendo-se com drogas, ‘esquecendo’ da esposa/família durante as turnês, seu amor por June Carter e sua genialidade para música o absolvem de qualquer ‘tropeço’ cometido em vida.

Muito antes de Mano Brown nascer, Johnny Cash já versava os temidos e nem sempre justiçados presidiários. “Numa manhã enquanto dava voltas /Eu tomei uma dose de cocaína e matei minha mulher / Eu fui para casa e fui para cama / Guardei aquela amada 44 embaixo da minha cabeça” só como exemplo um trecho da famosa “Cocaíne Blues”. Foi justamente cantando musicas descrevendo passagens destes ‘fora-da-lei’ que ele ressurgiu para o sucesso no final dos anos 1960, mas afinal, não é olhando para os excluídos que o herói faz a diferença?

Johnny, que surgiu para o mundo da musica na metade do anos 1950, foi viciado em anfetaminas, foi preso algumas vezes, porém nunca chegou a ficar encarcerado por muito tempo. Vestia-se totalmente de preto, e a sua lista de amigos é no mínimo de respeito. No inicio de carreira dividia os palcos com Elvis e Jerry Lee Lewis, nos final dos anos 1960 ficou muito amigo de um tal Bob Dylan, até Ozzy Osbourne trocou algumas ‘idéias’ com ele nos anos 1980. A lista de influenciados pelo seu ‘country rock gospel bandido’ vai de U2 a Norah Jones e ele mesmo teve seu ultimo grande sucesso gravando “Hurt” composta por Trent Reznor do Nine Inch Nails.

O filme

“Johnny & June” (Walk The Line, 2005) é a cinebiografia do nosso herói e cantor country americano, com direção e roteiro de James Mangold (mesmo roteirista e diretor de “Garota, Interrompida”, 1999), estrelada por Joaquin Phoenix e Reese Witherspoon (atuação que lhe rendeu o merecido Oscar de melhor atriz). A dupla incorpora Cash e Carter de maneira sublime, e para minha grata surpresa,os atores cantam todas as musicas, sendo a voz de Joaquin ainda mais grave do que a original de Johnny, dando uma nova ‘roupagem’ para as canções.

O amor ‘latente’ cultivado por anos de proximidade entre o casal é muito bem explorado e torna-se o fio condutor de toda a trama. Sentimento este que depois de mais uma década pode ser declarado e consumido em público. Se não fosse baseado em fatos reais, poderíamos dizer que o filme é um enorme emaranhado de chavões com estrelas viciadas, casamentos desfeitos, auto-destruição do herói por causa de uma culpa injusta, e um final romântico onde os mocinhos ‘viveram felizes para sempre’. Em 2003, depois de mais de trinta anos de casamento, Cash morreu quatro meses após a sua amada Carter ter falecido.

Pra não dizer que não falei das flores, muitos dizem que se o blues é a mãe do rock e o pai com certeza é o country. O começo da trajetória musical de Johnny Cash demonstra como o rockabilly se misturava facilmente com a musica dele. Considerado por muitos o maior representante do estilo, foi rejeitado pela indústria da música conuntry nos anos 1990, mesmo período em que ele ressurgiu novamente (como uma Fênix de violões) emplacando sucessos e ganhando até Grammy.

Pra não dizer que não falei das flores novamente, faz dez dias que permeia em minha cabeça escrever este texto sobre o filme e o cantor, coincidência ou não, hoje vi um cara com uma camiseta com a famosa foto de Cash mostrando o dedo para as rádios e gravadoras country americanas.

Obs.: Infelizmente não encontrei no youtube a passagem em que Johnny pede June em casamento no palco.

Obs.2: A foto de abertura, na minha humilde opinião, é uma das mais belas da história do cinema.

#por Jonas Ribeiro#

 
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Publicado por em janeiro 18, 2010 em All Posts, Coisas de Filme, Notas Musicais

 

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Em Todo Lugar – parte 1

No terceiro dia de trabalho do ano, estava no transporte público, e olhei pela janela na descida da Avenida 9 de Julho. Carros paravam no sinal, motos riscavam o asfalto entre eles, pessoas apressadas atravessando a faixa. Todos parecem iguais a ontem e anteontem e nos outros ‘ontems’ de anos passados.

Em um mundo que por momentos parece estar à beira do caos, a pressa domina, a impaciência, o depois sempre parece mais importante do que o agora. E por que não anda? A inquietude de alguns olhares que procuram motivos onde a reposta é sempre a mesma , o trânsito, os carros, o governo, a chuva, os outros!

Um segundo olhar e começo a perceber que existem rostos onde encontro outras expressões, outras amplitudes. O sono, a tranqüilidade, a distância e em algumas conversas, aquelas bem ali na articulação do ônibus bi-articulado, palavras amistosas e leves sorrisos de histórias que não consigo distinguir, apenas um leve e agradável ruído de vozes.

De motores e passos, buzinas e vento, os sons se misturam, a luz é verde para o coletivo e “Tudo Caminha, e as horas passam de vagar num ônibus de linha”. Percebo que o organismo funciona, o veiculo para, o som da porta que abre, os degraus, o metálico som do anel da moça que bate no tubo de apoio, uns descem, outros sobem, um novo chiar, a porta se fecha. Será que isso tudo pode ser música?

Nos prédios que passam muitos já se acomodam em suas poltronas, ligam seus computadores, outros tomam o café de costume, alguns já lidam com água e sabão, o esfregão, a graxa e os papéis. O sinal do elevador, a ronco da máquina que corta, o bichos que despertam na petshop, os pães despejados no cesto, a borrifada matinal nas flores expostas, a porta de metal que levanta. Será que isso tudo pode ser música?

Pra não dizer que não falei das flores, “Brasília 5:31” tem uma versão acústica que me lembra muito o lado psicodélico dos Beatles, com a guitarra mais que especial de Dado Villa-Lobos entoando efeitos com um toque ‘transcendental’. Esta canção reflete a mim como é possível ‘ver’ música em todo lugar, como pode ser belo imaginar o despertar de uma metrópole, como “tudo caminha”.

Pra não dizer que não falei das flores novamente, existem muitos estudos sobre a música presente nos sons do cotidiano. Na faculdade, o professor de som Marcelo Caíres nos apresentou o livro “Por uma Escuta Nômade: A Musica dos sons da Rua” de Fátima Carneiro dos Santos, que aborda o tema e dedica vários capítulos citando pensadores e estudioso do assunto. Como exemplo, a cantora Björk explorou muito bem esses sons nas musicas do filme “Dançando no Escuro”, presentes no trecho com a música “Cvalda”, mais sobre isso apenas na parte 2.

 
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Publicado por em janeiro 7, 2010 em All Posts, Notas Musicais

 

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My Old Man

A primeira lembrança que tenho de toda minha vida, e pela forma que ficou gravada no meu cérebro, não me deixa dúvidas de que é o fato mais antigo que posso recordar. Um fragmento, a imagem de duas pessoas sentadas em uma mesa, uma de cada lado, minha visão era de frente para a quina, a mulher do lado direito, o homem do lado esquerdo. A ‘fotografia’ que tenho é de estar olhando para cima e sei que estava bem abaixo do nível da mesa, seus olhos estavam atentos ao que acontecia comigo:

– Parece que ele engasgou – Disse ele

– Será que o pedaço era muito grande? – Ela completou.

Eles tinham me dado um pedaço de carne, e é só isso que me lembro. Porém o mais importante é o fato que ele estava lá.

Incontáveis são os momentos da minha vida que foram importantes e sua presença marcante, me educando, me ensinando, me dando ordens, ou simplesmente sendo a referência. Lembro das tardes após a escola, por volta das 3 da tarde, eu chegava em casa, tomava café, ele só arrumava as coisas e íamos para o futebol. Eu, com meus 8 ou 9 anos, ficava na arquibancada assistindo e torcendo pelo craque apelidado de ‘Kemps’ ou ‘Baixinho’. Eram momentos únicos, afinal sempre foi o futebol que fortaleceu nossos laços. Tem pessoas que pescam, tem gente que segue a mesma profissão, outros que continuam a mesma trilha musical, a nossa ligação, até mesmo por eu ter escolhido o time dele para torcer, sempre foi esse esporte tão forte em nossas vidas.

Passamos pela existência, e nem sempre conseguimos quantificar a importância de certas pessoas na formação de nosso caráter, de nossa estrutura, de nós como indivíduos. Por tantos ‘nãos’, por tantos ‘sims’, por tantas vezes que foi severo, por tantas vezes que vi orgulho em seu olhar por algo que eu tenha feito, por saber que um dia talvez terei a benção de estar em seu lugar, eu posso dizer meu muito obrigado.

Pra não dizer que não falei das flores, todas as vezes que vejo esta passagem ao vivo de “Out of Control”  e o Bono agradece ao seu ‘old man’ pelos trocados que ajudaram a começar toda a história da banda, lembro de todos os trocados dados a mim pelo meu ‘old man’, fruto de muito suor dele, trabalhando honestamente para criar minha família e sei que ele, que perdeu o seu pai tão cedo, e quase nem teve essa referência que sou muito privilegiado por te-la. E no Brasil em 2006, Bono novamente agradece na música ” Sometimes You Can’t Make It On Your Own” e faço deles as minhas palavras, praticamente todas. Obrigado my old man, muito obrigado.

por Jonas Ribeiro

 
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Publicado por em dezembro 26, 2009 em All Posts, Notas Musicais

 

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