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Arquivo da categoria: 33a Mostra Internacional

“There Is A Light That Never Goes Out”

Encerrando os textos sobre a Mostra, a agradável estreia em longas-metragem do diretor de video clipes Marc Webb “(500) Dias com Ela” ((500) Days of Summer, 2009), ele também divide o roteiro com Scott Neustadter.

Quando um filme fala sobre relacionamentos, com ‘pitadas’ de humor para suavizar a trama ‘melodramática’, sempre estampa-se a rótulo de comédia-romântica. “500” não foge a risca, mas está acima da média, exatamente por trazer elementos próximos da realidade, sem deixar de utilizar todos os recursos que uma montagem bem elaborada pode trazer.

O sucesso de ‘500’ começa pela ótima escolha do elenco, Summer (Zooey Deschanel) está perfeita como o objeto de desejo do romântico e sensível Tom (Joseph Gordon-Levitt). Zooey, que esteve totalmente perdida em “Fim dos Tempos” (The Happening, 2008), assim como tudo naquele filme, e foi muito bem como par romântico de Jim Carrey em “Sim Senhor” (Yes Man, 2008), volta aqui encarnando todos os sonhos possíveis em forma de mulher que Tom ousara ter na vida. O que da credibilidade a Summer é justamente seu olhar, que cativa pela beleza, mas demonstra claramente uma certa desilusão que a personagem carrega dentro de si. Tom por sua vez, traz uma carga emocional forte, como vemos em toda ‘história da humanidade’, os românticos que idealizam uma musa, e só enxergam ela como solução para todos os seus problemas. Em contrapartida são justamente as cenas de humor dele que ‘ganham’ o publico.

A montagem sabiamente apresentada de forma não-cronológica, cria paralelos entre períodos distintos do relacionamento de Tom e Summer, os contrastes na vida dele ficam mais evidentes, tantos os momentos de felicidade como de tristeza. Se fosse diferente, provavelmente teríamos trechos excessivamente melancólicos, e outros extremamente ‘bonitinhos’. A sequência inicial é digna de aplausos, com a bela música “Us” de Regina Spektor, dividindo tela ao meio, apresentando os dois personagens ao mesmo tempo (recurso muito bem utilizado em outro ponto alto do filme).

A trilha sonora (que participa da trama) tem Smiths, a camiseta de Tom estampa Joy Division, o Beatle preferido de Summer não é Paul nem John (um dos encantos de Summer, ela não é uma garota comum), os próprios personagens cantam Clash e Pixies. “500” não poupa elementos da cultura pop/rock para que os nossos ‘neurônios-espelho’ entrem em ação e sejamos cativados. Aliás, tantos os personagens como os acontecimentos do filme, por serem claramente inspirados em pessoas reais, deixam aquela sensação de que você já viveu coisas semelhantes, ou conhece alguém que é igual ao Tom, ou mesmo se acha parecido com o jeito gracioso de Summer, entre outras ‘coincidências’.

O interessante, site oficial nacional.

Como meu dever oficial, segue abaixo o trailer, mas não recomendo que assistam aqueles que gostam de pequenas surpresas. Aqui tem várias.

‘Para não dizer que não falei das flores’, Zooey além de atriz é cantora, possui uma banda/dupla com o guitarrista e produtor M. Ward chamada She & Him. Esta ‘brincadeira’ de Zooey começou em outro filme “The Go-Getter”, 2008, quando o diretor a convidou para fazer dupla com Ward na musica dos créditos finais. Ela canta tem uma banda em “Sim Senhor”, da uma ‘palhinha’ em “500”, além de ter cantado em “Um Duende em Nova York” (Elf,2003). No post anterior sobre a música “(What’s so funny ‘bout) Love Peace and Understanding”, tem uma participação dela na super banda de Elvis Costello.

O clip da música “Why Do You Me Stay Here?” feito especialmente para promover o filme. A música eu não curti muito, mas a dança deles é legal.

Das apresentações de She & Him que encontrei, a que mais gostei foi esta versão de “You Really Got a Hold on Me” dos Beatles.

Para finalizar a musica dos Smiths presente no filme.

#por Jonas Ribeiro#

 
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Publicado por em novembro 27, 2009 em 33a Mostra Internacional, All Posts

 

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É Fan-tás-ti-co! Go Fox! Go!

Continuando os textos sobre os filmes que assisti na Mostra Internacional, o ultimo que consegui ver foi “O Fantástico Sr. Raposo”. Esta incrível animação em stop-motion teve suas sessões disputadas a tapa, tanto que ao chegar com mais de uma hora de antecedência ao cinema os ingressos já haviam acabado, mas para minha sorte consegui comprar meu ingresso de um rapaz que havia desistido de assistir a sessão.

Quando falamos em cinema de animação, não podemos deixar de pensar no quanto é trabalhoso construir um filme quadro a quadro. No caso do stop-motion é muito louvável a determinação da equipe em realizar esses projetos, que muitas vezes demora meses para conseguir chegar a minuto de filme.

Analisando a parte técnica, o ” O Sr. Raposo” realmente é fantástico. Observando o numero de animais, cheios de pelos, com muitos detalhes, os diversos cenários, a iluminação, entre outros aspectos, este filme impressiona. A trilha também agrada dando tons a esta fabula inspirada no clássico infantil O Fantástico Senhor Raposo, de Roald Dahl. Fora as musicas de Rolling Stones e Beach Boys

O melhor é saber que toda essa parte técnica faz jus ao roteiro bem elaborado e a narrativa com tons reacionários. Sr. Raposo é o típico anti-herói, sarcástico o tempo inteiro, e desfila num tom de humor ácido. As varias sacadas e criticas presentes na história agradam e prendem atenção.

Com previsão de entrar em circuito aqui no Brasil em 04 de dezembro, tem forte elenco de dubladores, com vozes dede Meryl Streep, George Clooney, Bill Murray, Owen Wilson, Willem Dafoe, entre outros.

Site oficial.

Abaixo o trailer e clip da música “The Fighting Man” dos Rolling Stones, presente na trilha. Aliás é uma ótima sequência quando toca no filme.

#por Jonas Ribeiro#

 
 

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Alaska Adolescente

Relendo a sinopse do site da Mostra, após assistir ao filme “Querido Lemon Lima” (Dear Lemon Lima), me deparei com um ótimo resumo. Sendo assim, prefiro descrever as minhas impressões sobre essa agradável película, tentarei apontar algumas particularidades que notei assistindo ao filme.

Poderia ser apenas mais um filme adolescente, sobre uma menina apaixonada por um garoto, naquela receita que conhecemos bem, a mocinha passa pelo “inferno”, muitas vezes é humilhada, encontra ajuda nos “rejeitados”, encontra a si mesma nesta trajetória, e ao final é brindada com a vitória e um amor verdadeiro. Tudo isso acontece em “Lemon Lima” mas todo o cenário montado para apresentar é o que dá um tempero especial.

Além de uma trilha musical (descaradamente) inspirada em “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”, presente o tempo inteiro na busca de Vanessa Lemor. Não é possível desassociar muitos aspectos da montagem e da abordagem desse filme com “Juno”, apesar que neste caso, aparentemente, trata de um tema mais ameno do que gravidez na adolescência. Quando perguntada sobre esta semelhança, a diretora Suzi Yoonessi disse que sempre existe este tipo de comparação, mas que o roteiro dela é anterior ao lançamento de “Juno”.

A diferença de “Querido Lemon Lima”, está em algumas situações absurdas, como a da família que aceitava e incentivava a participação do único filho de 12 anos em clube de armas. Este é o exemplo mais explícito das diversas “hipocrisias” e “preconceitos” que o filme aborda. Neste momento que ele se aproxima de “Estraleando Maja”, a pratica do booling também aparece em vários momentos.

O mais curioso é o fato da história se passar no Alaska, a escola onde se desenrola grande parte da trama, tenta resgatar e criar um vínculo com a cultura nativa. O problema é que a escola é elitista, não tem alunos nativos, apenas uma bolsista, Vanessa Lemor, que na verdade é apenas “meio-nativa” (por parte do pai que ela não tem contato). Uma das linhas narrativas do filme passa justamente pela aceitação dela em ter sangue nativo, coisa que inicialmente ela rejeita.

“Dear Lemon Lima” é um ótimo filme adolescente, não podemos esquecer a qual público a história esta direcionada, mas que pode-se observar com um olhar tanto curioso sobre atores, cenários e outros aspectos, um dedo alternativo.

Site Oficial

#por Jonas Ribeiro#

 
 

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Princesa Sueca

Devido ao numero reduzido de horários possíveis, nos dias que pude comparecer na Mostra, precisava verificar se nos cinemas que eu poderia ir, teriam filmes que me despertassem algum tipo de interesse. Lendo a sinopse de “Estrelando Maja” (Prinsessa) disponível no site da Mostra, fiquei bem otimista, pois o filme sueco tocava num tema muito presente no cotidiano de todos nós, o preconceito contra pessoas obesas.

A humanidade sempre criou estereótipos, tanto pelo visual como pela personalidade, entre outros aspectos. Estes “padrões” são uma ferramenta que utilizamos para diferenciar as pessoas em análises superficiais, claro que usamos isso o tempo inteiro. Na rua, no trabalho, assistindo TV, dividimos as pessoas em grupos e subgrupos, quase sempre de maneira inconsciente, com a pequena amostra de determinado individuo nos é apresentado. O problema é quando julgamos, sem ter o mínimo de conhecimento de quem realmente aquela pessoa é, independente de como se apresenta visualmente.

“Estrelando Maja” (pronuncia-se Maia), conta a história de uma adolescente sueca com um sonho de ser atriz. O único porém é o fato de que a sua obesidade atrapalha sua vida social na escola e no grupo de teatro que participa. Em um casamento, Maja encontra com Erika Sohlman, uma diretora de cinema que filma casamentos para ganhar a vida.

Deste encontro nasce a idéia de criar um documentário sobre a vida de Maja e a sua busca pelo sonho de ser atriz. As duas tornam-se amigas, e durante as filmagens, Erika se depara com a realidade do preconceito que Maja sofre de todos que estão a sua volta. Uma amostra disso é, quando surge a oportunidade de uma ponta em um seriado de TV, ela descobre no ultimo momento que a personagem dela é definida pelo termo “gorda e feia”, sendo motivo de piada na pequena participação.

O interessante de “Estrelando Maja”, além da própria história de Maja, é o cuidado na construção das outras personagens. Erika é um exemplo, que por questões financeiras, acaba traindo sua nova amiga, assinando um contrato onde o documentário deveria ter uma abordagem humorística, que iria ridicularizar Maja.

O filme chama-se “Prinsessa” em sueco, que significa princesa em português. Erika no se redime com Maja, apresentando outro documentário, sobre o sonho de princesa que mora em grande parte das mulheres, e quando elas se deparam com a realidade, a única coisa que sobra deste sonho é o dia do casamento. O desfecho acontece quando Maja aceita participar da peça da escola, mesmo não sendo o papel da “mocinha” da história, e vira a estrela da peça.

Ao final da exibição, a bela diretora sueca Teresa Fabik respondeu algumas perguntas dos presentes na sessão. Comentou que os atores eram profissionais e elucidou pequenas particularidades suecas do filme, como as piadas sobre Estocolmo ser uma metrópole (o que, segundo Teresa, não é), e a formatura do colegial deles, onde os rapazes se vestem parecidos com marinheiros e ao final da cerimônia os jovens desfilam pela cidade em um caminhão.

#por Jonas Ribeiro#

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A bela e ruiva diretora Teresa Fabik

 
 

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Mostra o Mundo Cinema!

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A poluição é severa, o trânsito estressa, as pessoas são “impessoais”, mas todo fim de ano, lembro porque amo São Paulo, por que é na capital que acontece a Mostra de Cinema, dando a oportunidade para assistir filmes que dificilmente poderei apreciar em outro momento.

Quem conhece a Mostra, sabe o quanto é difícil conseguir ver as melhores sessões, ou mesmo as desconhecidas, porque são vários cinemas, todos os dias, e a rotina da vida não permite que eu fique o dia inteiro desfrutando dos prazeres das salas de cinema.

Este ano consegui ver 4 produções. “500 Dias com Ela” assisti no primeiro dia da amostra e já entrou em circuito no Brasil, mas a minha humilde critica deste virá por último. Em uma sessão seguida consegui ver “Estrelando Maja” e “Querido Lemon Lima”, ambos tiveram a presença de suas diretoras que bateram um papo com o pessoal presente no cinema. E por último, comprando ingresso quase que de um cambista, a animação em stop motion “O Fantástico Senhor Raposo”, este acredito que possa entrar em cartaz aqui no Brasil pelo elenco de dubladores. Em seguida vou postar pequenas criticas dos 4 filmes e algumas curiosidades sobre os mesmos.

#por Jonas Ribeiro#

 
 

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