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Nada é Para Sempre

19 jun

No começo tudo são flores, até mesmos os defeitos parecem fazer parte de uma magia que encanta. Quando bate diretamente com aquilo que sonhamos como ideal, então o tão desejado “felizes para sempre” nos parece a mão. Mas as pessoas mudam, o mundo muda, o tempo passa, e o tempero inicial pode ser muito indigesto quando usado em excesso. O novo se torna gasto e sem brilho, até a musica da sua vida se transforma em um som irritante e enjoativo. “Blue Valentine” (2010), disseca o frescor e o desgaste de um casal que de tão comum pode ter sido inspirado na vida de qualquer pessoa, até na sua.

De forma muito orgânica, e que muitas vezes se aproxima de uma linguagem documentarista, o diretor Derek Cianfrance consegue mostrar de maneira crua e realista dois pontos chaves de um relacionamento, o inicio encantador e apaixonado, em paralelo uma crise após quase uma década de convivência. Extraindo interpretações sinceras e acima da média de Ryab Gosling (Dean) e principalmente de Michelle Williams (Cindy).

Resumindo, uma garota de suburbio, bela e muito inteligente, sonha em ser médica. Rapaz sem muito estudo, mas com muito potencial e bom coração. Cindy namora ‘o cara’ da escola, porém pouco romântico. Dean trabalha como carregador e sonha encontrar uma garota legal. Em um momento de desilusão dela, eles se conhecem e começam um relacionamento encantador, aparentemente ambos encontram o que faltava tanto nas experiências anteriores como nas histórias dos próprios pais.

Após anos de convivência, as responsabilidades de criar uma filha, manter um lar e pagar as contas, a distância e o desgaste são visíveis. Ele transporta as brincadeiras, as musicas e todo amor para a filha, quase esquecendo da companheira, enquanto ela sente o peso de lidar com o alcoolismo e infantilidade do marido, e o peso de ser boa mãe e boa enfermeira (distante da médica que desejava ser).

Estes extremos expostos acima são tão comuns que poucas pessoas não viveram ou viram bem de perto situações semelhantes. O risco de entrar em velhos clichês é alto,  mas “Blue Valentine” se desenrola no limite e não entra no comodismo das situações simples e de fácil digestão. O paralelo dos diferentes momentos da mesma relação pontuam ainda mais os problemas da mesma, como quando em uma tentativa de aquecer a relação, Dean coloca “a música” do casal que surte pouco efeito para uma noite qeu deveria ser especial, em outra cena o diretor demonstra a ‘primeira vez’ daquela musica para o casal, cheia de emoção, encantamento e romantismo.

Como do veneno que mata também extrai-se o antídoto, por chegar tão perto da realidade, este “Blue Valentine” em certos momentos se transforma em um blue movie, cansativo e angustiante. Com certeza não agrada ao público em geral, justamente por mostrar pessoas comuns em situações comuns (porém muito complicadas), sem príncipes encantados ou carruagens de cristal.

Pra não dizer que não falei das flores, a música do casal é “You and me” de Penny & The Quarters, uma gravação dos anos 1970, esteve perdida por decadas nos arquivo de uma gravadora até ser redescoberta em 2006 e agora atingir o sucesso por causa do filme.

Pra não dizer que não falei das flores ainda, tenho que informar que a campanha brasileira em cima de “Namorados para Sempre” (Blue Valentine, 2010) cometeu erros imperdoáveis. Além de um titulo equivocado, utilizou chamadas puramente comerciais com a intenção de atrair o publico no dia dos namorados do Brasil, mas após dos 114 minutos, alguns casais provavelmente sairam com várias dúvidas se vale a pena continuar o relacionamento.

#por Jonas Ribeiro#

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1 comentário

Publicado por em junho 19, 2011 em Sem categoria

 

Uma resposta para “Nada é Para Sempre

  1. stevkohn

    junho 21, 2011 at 18:04

    Eu, mesmo como aspirante a esposa e mulher apaixonada, amei o filme. E fiquei me questionando o porquê. Agora, depois de ler o seu texto, entendi. Acho que foi pela interpretação “sincera e acima da média” dos atores. Mas, pra mim, Ryan Gosling foi o astro. Eu me apaixonei perdidamente por aquele homem meio menino, simples, bêbado e super passional que fez de tudo para segurar o casamento. Mesmo sabendo que no lugar de Cindy, agiria da mesma forma.

    A beleza do filme é essa: ele é muito real, mas ainda assim extrai de nós um sentimento irreal … acho que isso é do cinema, não é?

     

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