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O Melhor X da Questão

12 jun

Quem nunca se sentiu diferente? Por um nariz, uma orelha, por ser magro, gordo, pobre, rico, negro, amarelo ou azul? A simples diferença infelizmente gera muitas vezes estranhamento, medo, revolta, segregação, preconceito entre outros efeitos colaterais. Talvez um dos maiores paradoxos da humanidade, pois sabemos que somos iguais e ao mesmo tempo somos únicos, com virtudes e defeitos que nos diferenciam de todos os outros, o problema é quando alguns se acham mais iguais que os outros.

Apesar de algumas vezes as adaptações de quadrinhos conseguirem sequências melhores que os filmes iniciais das séries – caso de “Cavaleiro das Trevas”  (The Dark Knight, 2008) e o próprio “X-Men 2″(2003) de Bryan Singer – sempre que uma continuação é lançada, existe o temor de que algo ruim e puramente comercial está por vir. Tanto que “X-Men 3: O Confronto Final”, aparentemente finalizava a franquia de forma decepcionante, sem Singer e sem brilho.

Mas a trilogia como um todo foi um sucesso, por isso o elenco ficou encarecido por estrelas, resultando na dificuldade em manter o universo utilizando o mesmo elenco – além de do terceiro filme eliminar parte dos principais personagens.  Para dar continuidade a ‘galinha de mutantes de ouro’ , inciou-se uma série de novos títulos.  Wolverine, quase unânime entre os fãs como o personagem mais carismático, ganhou um capitulo fraco sobre sua origem e fez muitos se decepcionarem. Mas “X-Men: Primeira Classe” (X-Men: First Class, 2011) de Matthew Vaughn (diretor do ‘redondo’ e bem construído “Stardust”, 2007) supreende por ser o melhor da franquia até aqui.

Como no ultimo filme do homem-morcego, esta primeira classe ganha pelo ótimo roteiro, que explora muito bem a questão complexa da diferença e do preconceito (tema principal do universo X e muito debatido pela sociedade atual). A construção das histórias de Charles Xavier (James McAvoy) e de Erik Lehnsherr (Michael Fassbender), futuro Magneto, são a base bem estruturada de toda linha narrativa, que utiliza acertadamente acontecimentos históricos reais (II Guerra Mundial e Crise dos misseis entre EUA e URSS nos anos 60), dando um tom ainda mais verossímil para os personagens, que apesar dos poderes mutantes, sofrem psicologicamente e socialmente por não serem considerados normais. Respeitando a trilogia já existente,  as origens distintas dos futuros líderes mutantes justificam suas ações dentro desta trama e dos filmes anteriores que se passam décadas depois. Também convincentes estão Kevin Bacon como o vilão Sebastian Shaw e Jennifer Lawrence (Raven Darkholme / Mística), que é a melhor personificação da questão mutante de aceitação, tanto da sociedade como dela e sua própria natureza.

A grande diferença deste ‘First Class’ é se distanciar do show pirotécnico de computação gráfica que existe em alguns filmes do genero – que se assemelham mais a linguagem de Games dos que de quadrinhos  – e se preocupa em contar um boa história. Os 132 minutos são talhados com pequenos conflitos, onde cada mutante encara de uma forma, tanto a sua mutação, como a escolha do ‘lado’ para lutar em meio a muitas tensões sociais e politicas.

Outro trunfo deste “X-Men” é mostrar claramente que apesar de diferentes, os mutantes são humanos, com qualidades, defeitos, desejos e principalmente são mortais. Em nenhum momento a sensação de conforto existe. O humor dosado na medida certa para aliviar a trama, sem exageros – aliás, outras franquias se perdem tentando agradar ao público adolescente carregando em humor e pirotecnia, abdicando de uma trama mais complexa.

O desfecho mantém o ritmo, justifica aspectos do universo X da franquia, e surpreende quem desconhece a história, por isso agrada aos fãs da primeira trilogia e aos espectadores casuais, possivelmente novos admiradores da escola para mutantes do Professor Xavier.

Pra não dizer que não falei das flores, meu modo de fazer uma crítica é analisando não apenas a obra em si, mas observando o meio, tempo e ao que se propõe a obra analisada. Não teria como fazer uma analise baseada nos quadrinhos da Marvel (isso eu deixo para meu amigo Diego M. Gomes que é especialista e mestre na arte e no universo X-Men), por isso esta humilde análise foi realizada em cima do filme como cinema e nas obras, tanto da franquia, como outras do mesmo gênero.

por Jonas Ribeiro

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2 Comentários

Publicado por em junho 12, 2011 em All Posts, Coisas de Filme

 

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2 Respostas para “O Melhor X da Questão

  1. Diego M. Gomes

    junho 14, 2011 at 17:47

    Opa, tomara que esse tal de Diego M. Gomes ae, que manja tudo de x-men, comente aqui… rsrs…
    Eu me restrinjo a dizer que é uma ótima ADAPTAÇÃO!
    Os fãs mais “chiitas” vão chiar, espernear, mimi e mimi (como fizeram assim que viram a 1a foto do Michael Fassbender com o “balde” na cabeça na net), mas o fato é que a produção mandou muito bem, a história ficou muito bem amarrada, inclusive com as sequências, e a atuação dos 5 personagens principais está irretocável. Filmão, pra assistir com balde de pipoca no colo!
    E a crítica do blog? Na mosca, como sempre!
    Eu acrescentaria uma única frase:
    “Go F*#K yourselves!” LOL
    (Quem assistiu – legendado – entendeu! ;D )

     
    • jonasribeiro78

      junho 14, 2011 at 20:35

      Valeu Mano, o legal que ambos tivemos a mesma percepção, que o filme é F$#%!…rsrs Abraço!

       

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