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Elementar e Além

20 fev

Seria fácil criar um filme sobre o detetive mais famoso da história, o símbolo maior de toda uma classe investigativa, aquela figura que, imageticamente falando, tem uma relevância maior que o seu compatriota 007. Em tempos de inúmeras séries televisivas com detetives modernos, que usam a ciência, a tecnologia e a inteligência (Holmes?) para desvendar os mistérios quase insolúveis, se alimentar de toda esta mídia, e para não dizer ‘mini cultura investigativa’ criada nos tempos atuais, nada melhor do que o maior de todos para fazer sucesso no cinema. Mas chamaram um tal de Guy Ricthie para executar a tarefa, então o ‘elementar’ foi um pouco além.

Sherlock Holmes foi criado no final do século XIX pelo médico oftalmologista e escritor Arthur Conan Doyle. Ele utiliza o conhecimento para decifrar todo tipo de mistério, crime, ‘sapo morto’ ou pessoas que estejam passando na rua. Esta é a principal característica de todos os Sherlocks já criados, desde o original literário até as suas adaptações cinematográficas. Justamente aí esta o fascínio que este personagem exerce em todos, a ‘inteligência aplicada’ inspira e prova como o conhecimento é necessário e encanta.

Quem já assistiu aos excelentes “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes” (Lock, Stock and Two Smoking Barrels, 1998) ou a “Snatch – Porcos e Diamantes” (Snatch, 2000) tem idéia do estilo marcante de Ricthie. O slow motion, os pensamentos dos personagens, os closes, a fotografia, o sotaque inglês carregado, os capangas, está tudo em Sherlock, mas não de forma gratuita. Ritchie ‘assina’ o longa sem ser cansativo nem repetitivo, e o ‘respeito’ pela personagem histórica esteve presente em pequenos elementos que, confesso, desconhecia pertencer as histórias do detetive inglês.

Por nunca ter lido nenhum dos seus romances, busquei informações sobre o mesmo, pois a figura é tão marcante, excessivamente repetida e parodiada na história do cinema e TV, que até acreditava já ter assistido a muitas de suas tramas. Na verdade, “O Enigma da Pirâmide” (Young  Sherlock Holmes, 1985), reina quase que absoluto em minha memória, onde o diretor Barry Levinson também fugiu do óbvio e magistralmente colocou as figuras de Sherlock e o Dr. John Watson na adolescência.

Fui novamente surpreendido, ao descobrir que seu ‘ar arrogante’ não é somente fruto da boa interpretação do Robert Downey Jr., muito menos seu violino presente em muitas cenas, ou até mesmo a luta por uns trocados (o Holmes original lutava box). Tudo faz parte da personalidade criada na palavras de Doyle no final do século XIX e sempre narradas pelo Dr. Watson, amigo inseparável de Holmes (mesmo quando não deseja), facilmente incorporado por Jude Law. Não sei se faz parte dos livros, mas a bela Rachel McAdams está perfeita na papel de Mary Morstan, assim como todo o elenco, muito bem escolhido.

Juntando todos os pedaços deste intrigante texto, “Sherlock Holmes” (2009), não abusa de suspense, aliás, poucos mistérios estão suspensos no ar, os elementos são apresentados sem muitas ligações aparente, em meio a muita ação e humor inteligente/sarcástico, Holmes decifra os enigmas ao decorrer da trama. Diversão garantida por Guy Ritchie, que conseguiu respeitar, não só a personagem central e toda sua história literária como principalmente o seu próprio estilo de fazer cinema.

Para não dizer que não falei das flores, preciso salientar a belíssima fotografia assinada por Philippe Rousselot, é um espetáculo a parte, desde os créditos iniciais, até os marcantes e estilizados créditos finais (que valeram o ingresso para mim). Os tons cinzas de uma Londres em construção, os elementos sombrios e as ruas úmidas são alguns dos detalhes que impressionam e servem de excelente pano de fundo para toda a trama de “Sherlock Holmes”.

Para não dizer que não falei das flores também, “O Enigma da Pirâmide” marcou muito minha infância/adolescência. Talvez pela proximidade da idade dos personagens com meus poucos anos de vida, ou mesmo pela trama inteligente e misteriosa. Só para enumerar alguns filmes do diretor estão: “Bom Dia, Vietnã” (Good Morning, Vietnam, 1987), “Rain Main” (1988), o fantástico “Mera Coincidência” (Wag the Dog, 1997).

Em tempos que as ‘sociedade secretas’ estão na moda, um trecho de “Enigma”.

#por Jonas Ribeiro#

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3 Comentários

Publicado por em fevereiro 20, 2010 em All Posts

 

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3 Respostas para “Elementar e Além

  1. Edimaldia Ferreira

    fevereiro 20, 2010 at 3:35

    Post impecável.

    Agora, a única coisa que me resta é falar do House… rs*

    Beijo!

     
  2. ShigueS

    março 2, 2010 at 15:42

    Coincidentemente assisti a Sherlock Holmes esse final de cinema. Não consigo expressar minha opinião sem usar algum palavrão. Filme F O # @! Muito bom mesmo. Olha que fazia tempo que eu não me surpreendia com um filme, mas esse conseguiu me fisgar do começo ao fim. Já tinha gostado do trailer, mas o filme é muiiiito mais legal. Mistura aventura, ação, suspense e, por que não, romance. É cinema pra assistir comendo pipoca.

    Agora o Enigma da Pirâmide é um clássico e marcou minha pré-adolescência. Lembro de ter gravado de alguma Sessão da Tarde da vida, daquele jeito, começando já no meio das cenas e tudo mais. Mesmo assim vi umas vinte vezes e ainda digo que veria novamente. Fora que é um marco na história dos efeitos especiais (quem lembra da cena do vitral na igreja?)

     
  3. jonasribeiro78

    março 2, 2010 at 20:02

    Eu nunca esqueço da cena que o Watson é atacado pelos doces…rsrs

     

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