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Esta é a Minha Ilha, é o Reino que Governo e Onde ‘Eles’ Vivem

30 jan

Fora de controle, as peças não se encaixam, nada combina e todas as emoções transbordam para o caos, a fatalidade e a incompreensão. Então a única saída é fugir de tudo isso, e navegar a deriva num mar desconhecido, em busca de um porto qualquer. Em meio a tempestade de águas revoltas encontra-se uma ilha.

Neste pedaço de terra ‘eles’ vivem, em eterno conflito, com todas as suas peculiaridades, que num primeiro momento assustam, mas apesar de suas formas horripilantes, percebe-se algo familiar em todos eles. Uns aparentemente estão por perto o tempo inteiro, outros mal nota-se a presença, mesmo assim estão lá, marcando de alguma forma a existência. Esta ilha agora tem um rei.

Constrói-se uma fortaleza, para que só o desejável entre, mas isso é impossível. Ter o controle de quem entra ou quem sai é apenas um desejo utópico, distante da realidade. Logos ‘eles’, que aparentemente estavam calmos e em harmonia com a chegada do rei, expõem suas faces, o falso controle cai facilmente, neste reino ‘eles’ estão fora de controle, é difícil governar a própria ilha.

“Onde Vivem os Monstros” (Where the Wild Things Are, 2009), dirigido por Spike Jonze, é adaptação do livro com mesmo nome de Maurice Sendak. Quando vamos ao cinema para assistir um filme de Jonze, esperamos no mínimo algo inusitado, um olhar diferente, fotografia, montagem, tudo tem um trabalho personalizado e distante do comum.

Não é fácil gostar deste filme, porque as metáforas escondidas na história do garoto Max e os Monstros que dividem a tela com ele são sutis e dificilmente percebidas por mentes um pouco distraídas. A trilha sonora é delicadamente deliciosa, e dá suporte as viagens de Sendak e Jonze. Não sei quanto o filme é fiel ao livro, mas sem dúvida esta película não é nada infantil.

Peço ‘licença poética’ para definir e resumir este filme pelo meu ponto de vista: Todo homem é uma ilha, onde reina um menino cheio de histórias fantásticas, ele é a essência pura que reside dentro de cada indivíduo. Mas nesta ilha também habitam os monstros, oriundos de nossas fraquezas, são as faces tristes do lado obscuro também presente dentro de todos nós.

Pra não dizer que não falei das flores, Spike Jonze é da ‘turma’ de Michel Gondry e Charlie Kaufman, passou a década de 1990 dirigindo videoclipes para R.E.M, Björk, Sonic Youth, Daft Punk, The Breeders, Weezer entre outros. Estes vídeos marcaram época, ganharam prêmios e abriram o mercado do cinema para este diretor. Antes de “Onde Vivem os Monstros”, dois filmes que dirigiu, que chamam atenção pelos excelentes roteiros de Kaufman são “Quero ser John Malkovich” (Being John Malkovich, 1999) e “Adaptação” (Adaptation, 2002).

Seguem três momentos de pura genialidade de Jonze, “It’s so Quiet” com a sincronia em slow motion de Björk, o bem-humorado e já clássico “Sabotage” dos Beastie Boys e por último, mas não menos importante, “CannonBall” música de maior sucesso do The Breeders, onde é importante reparar as diferentes tomadas e ângulos inusitados como o rosto debaixo d’água e a câmera que corre com a bola.

#por Jonas Ribeiro#

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Publicado por em janeiro 30, 2010 em All Posts

 

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