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Time’s A Wasting

18 jan

“I wear the black for the poor and the beaten down, / Livin’ in the hopeless, hungry side of town, / I wear it for the prisoner who has long paid for his crime, / But is there because he’s a victim of the times” (“Eu me visto de preto pelos pobres e oprimidos/ Que vivem no lado faminto e sem esperanças da cidade / Eu me visto assim pelo prisioneiro que há muito pagou por seu crime / Mas está ali pois é uma vítima dos tempos”). Trecho de “Man In Black” escrita em 1971.

Um homem trilha sua história cheia de problemas, desde a infância as coisas são difíceis para ele. Com o passar do tempo sente que dentro de si existe algo extraordinário, um dom que o difere dos comuns, ele parte em busca de seu destino, mesmo com muitos sendo contrários a sua luta. Logo, esse seu dom lhe dá notoriedade e ele passa a ser conhecido e amado por (quase) todos. Mas o que poderia ser um final feliz é justamente o ponto de partida da sua trajetória de muitos altos e baixos, perseguições e equívocos que o levam até o fundo do poço e para os braços da morte eminente. Até que um amor incondicional o traz de volta a vida, lhe dá a redenção, encontrando as forças em uma fé, o predestinado ressuscita e recebe sua absolvição.

Jesus, Homem-Aranha, Ray Charles, Karate Kid, etc. A trilha do herói, já academicamente analisada por diversos estudiosos de roteiros, é a receita para incontáveis histórias descritas pela humanidade. A vida de Johnny Cash se encaixa perfeitamente nela. Mesmo cometendo todos os abusos comuns para um ‘rock star’, envolvendo-se com drogas, ‘esquecendo’ da esposa/família durante as turnês, seu amor por June Carter e sua genialidade para música o absolvem de qualquer ‘tropeço’ cometido em vida.

Muito antes de Mano Brown nascer, Johnny Cash já versava os temidos e nem sempre justiçados presidiários. “Numa manhã enquanto dava voltas /Eu tomei uma dose de cocaína e matei minha mulher / Eu fui para casa e fui para cama / Guardei aquela amada 44 embaixo da minha cabeça” só como exemplo um trecho da famosa “Cocaíne Blues”. Foi justamente cantando musicas descrevendo passagens destes ‘fora-da-lei’ que ele ressurgiu para o sucesso no final dos anos 1960, mas afinal, não é olhando para os excluídos que o herói faz a diferença?

Johnny, que surgiu para o mundo da musica na metade do anos 1950, foi viciado em anfetaminas, foi preso algumas vezes, porém nunca chegou a ficar encarcerado por muito tempo. Vestia-se totalmente de preto, e a sua lista de amigos é no mínimo de respeito. No inicio de carreira dividia os palcos com Elvis e Jerry Lee Lewis, nos final dos anos 1960 ficou muito amigo de um tal Bob Dylan, até Ozzy Osbourne trocou algumas ‘idéias’ com ele nos anos 1980. A lista de influenciados pelo seu ‘country rock gospel bandido’ vai de U2 a Norah Jones e ele mesmo teve seu ultimo grande sucesso gravando “Hurt” composta por Trent Reznor do Nine Inch Nails.

O filme

“Johnny & June” (Walk The Line, 2005) é a cinebiografia do nosso herói e cantor country americano, com direção e roteiro de James Mangold (mesmo roteirista e diretor de “Garota, Interrompida”, 1999), estrelada por Joaquin Phoenix e Reese Witherspoon (atuação que lhe rendeu o merecido Oscar de melhor atriz). A dupla incorpora Cash e Carter de maneira sublime, e para minha grata surpresa,os atores cantam todas as musicas, sendo a voz de Joaquin ainda mais grave do que a original de Johnny, dando uma nova ‘roupagem’ para as canções.

O amor ‘latente’ cultivado por anos de proximidade entre o casal é muito bem explorado e torna-se o fio condutor de toda a trama. Sentimento este que depois de mais uma década pode ser declarado e consumido em público. Se não fosse baseado em fatos reais, poderíamos dizer que o filme é um enorme emaranhado de chavões com estrelas viciadas, casamentos desfeitos, auto-destruição do herói por causa de uma culpa injusta, e um final romântico onde os mocinhos ‘viveram felizes para sempre’. Em 2003, depois de mais de trinta anos de casamento, Cash morreu quatro meses após a sua amada Carter ter falecido.

Pra não dizer que não falei das flores, muitos dizem que se o blues é a mãe do rock e o pai com certeza é o country. O começo da trajetória musical de Johnny Cash demonstra como o rockabilly se misturava facilmente com a musica dele. Considerado por muitos o maior representante do estilo, foi rejeitado pela indústria da música conuntry nos anos 1990, mesmo período em que ele ressurgiu novamente (como uma Fênix de violões) emplacando sucessos e ganhando até Grammy.

Pra não dizer que não falei das flores novamente, faz dez dias que permeia em minha cabeça escrever este texto sobre o filme e o cantor, coincidência ou não, hoje vi um cara com uma camiseta com a famosa foto de Cash mostrando o dedo para as rádios e gravadoras country americanas.

Obs.: Infelizmente não encontrei no youtube a passagem em que Johnny pede June em casamento no palco.

Obs.2: A foto de abertura, na minha humilde opinião, é uma das mais belas da história do cinema.

#por Jonas Ribeiro#

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6 Comentários

Publicado por em janeiro 18, 2010 em All Posts, Coisas de Filme, Notas Musicais

 

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6 Respostas para “Time’s A Wasting

  1. Leonardo Pires

    março 17, 2010 at 10:53

    Me lembro muito bem de quando assisti este filme. Meio que por acidente, sem querer, na casa da minha ex-namorada com ela deitada nos meus braços.

    Aos poucos fui me envolvendo com a história. Ele tem uma biografia fantástica, digna de uma pessoa que realmente fez a diferença e também história.

     
  2. Ale Coragem

    março 22, 2010 at 15:39

    Adoro o Cash, adoro esse filme e adorei o texto!!! Parabéns!!

     
  3. gabi

    abril 3, 2010 at 22:36

    Achei muito bom o filme e o texto, virei fã e gostaria de pedir para escrever um texto sobre a june. Obrigada

     
  4. junior

    abril 28, 2010 at 10:43

    Não idolatro ninguém, mas Dohnny Cash é a tradução de um men in the black!

     
  5. Juliana

    junho 2, 2010 at 13:30

    também estou penando para escrever um texto sobre o Cash … sem palavras!
    com certeza este servirá de inspiração. viva Johnny Cash!

     
  6. Man in black

    maio 7, 2011 at 15:02

    I wear the black in mournin’ for the lives that could have been,
    Each week we lose a hundred fine young men.
    And, I wear it for the thousands who have died,
    Believen’ that the Lord was on their side,
    I wear it for another hundred thousand who have died,
    Believen’ that we all were on their side.

     

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